Negócio próprio também é liberdade

O Agosto Lilás traz à tona uma conversa essencial: a autonomia financeira das mulheres. Os dados de 2025 mostram um crescimento recorde do empreendedorismo feminino no Brasil, mas também revelam que o acesso a crédito ainda é desigual. Iniciativas como o Banco da Família e a Rede de Mulheres mostram como o crédito justo pode se transformar em ferramenta real de autonomia. 1. O avanço do empreendedorismo feminino no Brasil Os números mostram uma virada real: em 2025, o empreendedorismo feminino no Brasil cresceu 27% em dez anos, um avanço de 16 pontos percentuais maior do que o registrado entre os homens no mesmo período. O número de mulheres à frente de negócios saltou de 8,2 milhões em 2015 para 10,4 milhões em dezembro de 2025, o maior patamar já registrado. E o movimento continua acelerando: só em 2025, mais de 2 milhões de mulheres abriram um MEI ou passaram a liderar uma micro ou pequena empresa, cerca de 42% de todos os novos negócios do país. É o maior índice da série histórica, com um crescimento de mais de 320 mil negócios femininos em relação a 2024. 2. O desafio que ainda persiste: o acesso a crédito Por trás desses números, um obstáculo segue presente: o crédito. A desigualdade de gênero aumenta conforme cresce o porte das empresas: nas micro e pequenas empresas, a participação feminina cai para 39% do total, e mulheres empreendedoras costumam enfrentar taxas de juros mais elevadas. 3. Banco da Família: crédito justo para quem empreende O Banco da Família oferece linhas de crédito com taxas justas para investir no negócio, e o BF Juro Zero, voltado a MEIs catarinenses, com crédito de até R$5 mil em 8 parcelas, sendo a última subsidiada pelo Governo do Estado para quem paga em dia. 4. Rede de Mulheres: crédito e fortalecimento coletivo A Rede de Mulheres é um movimento de fortalecimento coletivo pensado especialmente para empreendedoras. Mais do que acesso ao crédito, é um espaço onde mulheres se reconhecem, se apoiam e crescem juntas. A metodologia é baseada na confiança e na responsabilidade compartilhada: mulheres da mesma comunidade formam grupos solidários e assumem juntas o compromisso com o desenvolvimento de seus negócios e de suas vidas. Participantes têm acesso a crédito orientado, com valores de R$300 a R$1.000 parcelados em até 4 vezes, além de formação e capacitação voltadas ao protagonismo feminino e ao fortalecimento da autoestima. É crédito com propósito de comunidade: ninguém caminha sozinha. Em novembro, a Rede promoveu o evento Mulheres em Rede, reunindo empreendedoras para aprendizado, troca de experiências e conexão. Saiba mais: https://bf.org.br/rede-de-mulheres/ 5. Conclusão: crédito como ferramenta de autonomia Quando o crédito chega, ele vira ferramenta de autonomia, não só de sobrevivência financeira. Ter um negócio próprio é decidir sobre o próprio tempo, o próprio dinheiro e o próprio caminho. Neste Agosto Lilás, lembramos: apoiar o empreendedorismo feminino é apoiar a liberdade das mulheres.